Medalhas e Migalhas
Pelo menos 600 meninas e mulheres já perderam prêmios e medalhas em competições para atletas transgênero.
Eu sei que você está aí assistindo as olimpíadas de inverno, toda emocionada com a patinação artística.
Você sabia que o Brasil já teve a sua representante neste esporte olímpico? Isadora Williams, filha de mãe brasileira, mas, nascida nos EUA, competiu nas edições de 2014 e 2018. Certamente, Isadora inspirou muitas meninas a praticarem o esporte que – dentre aqueles disputados no inverno – é o mais “possível” para quem vive ao sul do equador. Além disso, dá pra praticar patinação artística também sobre rodas. O Brasil tem confederações e competições regulares nas duas modalidades: no gelo e sobre rodas.
Como todo esporte de alta performance, a patinação impõe grandes dificuldades às suas praticantes. Nos últimos anos, contudo, as meninas brasileiras tiveram que enfrentar mais uma dificuldade bastante peculiar: a violação da categoria feminina pelo sexo masculino.
Aqui, com um robusto apoio midiático, um menino venceu vários campeonatos, ao competir na categoria feminina. Segundo o Wikipedia, o atleta (preservaremos seu nome, mas você acha fácil no Google) iniciou a “transição de gênero” e a carreira na patinação aos 8 anos de idade, incentivado pelos pais que são treinadores de patinação artística. Ele desenvolveu suas habilidades tanto nos patins sobre rodas quanto no gelo, focando, inclusive, na meta de alcançar índices para participar destas Olimpíadas de Inverno em 2026. Mas, este ano, o Brasil não teve representantes na modalidade. Vejamos o que aconteceu:
O atleta trans que competia contra as meninas tinha um desempenho invejável: venceu o mundial inline júnior de 2023, foi vice no mundial inline júnior de 2021, campeão dos Jogos Sul-Americanos dos Esportes sobre Rodas de 2023 na categoria artística inline júnior, tetracampeão brasileiro no gelo júnior (2021-2024), vencedor do advanced novice em 2019, além de ter vencido três vezes o inline júnior Brasil (2021, 2022, 2023). Eu já disse, mas não me custa relembrar: estamos falando de um menino que alcançou todas essas vitórias na categoria feminina.
Eu sei que você está curiosa para saber por que, então, não estamos vendo essa pessoa tão vitoriosa nas Olimpíadas.
Prepare-se para o plot twist: em 2025, o patinador que se apresentava nas categorias femininas veio a público dizer que agora ele não mais se sente uma menina! Sim, é isso mesmo que você leu: Ele “destransicionou”. Todo esse histórico vitorioso como menina trans, fica como um pequeno delírio do passado, um erro que foi superado. É importante registrar: o erro é, naturalmente, dos adultos que levaram uma criança de 8 anos a “acreditar que nasceu no corpo errado”.
Agora faça o exercício de imaginar que você é mãe de uma menina que sonha em ser atleta de patinação. Com muito sacrifício, sua filha se empenha nos treinos; cai e se machuca; chora e se recupera. Nas competições, ela manda muito bem, mas perde para uma atleta trans. Você, que é uma mãe descolada, fala pra sua filha que tá tudo bem. Sua menina não se conforma e se sente desestimulada a praticar o esporte. Meses depois, a atleta que tirou a medalha da sua filha resolve que agora não é mais menina. Na memória da sua filha (e nos rankings oficiais), permanece para sempre a sensação de ser o segundo sexo lugar. Dá pra achar mesmo que tá tudo bem?
A grande mídia que, por muitas vezes, destacou o fato de que o atleta masculino sofria muito com “transfobia” nas competições esqueceu-se de noticiar as angústias da destransição do rapaz e, principalmente, de comentar o sofrimento das meninas que um dia perderam suas medalhas para um menino que foi induzido a acreditar que era uma menina (!!).
É totalmente possível sentir empatia por essa criança de 8 anos – e mesmo pelo jovem destransicionado – que foi enganado pela falsa ideia de que é possível mudar de sexo. Não é possível, no entanto, medir o quanto a presença de um menino em competições oficiais desestimulou meninas a seguirem a carreira de atleta. Mas, se você quiser um número concreto podemos citar o documento intitulado Violence against women and girls, its causes and consequences, produzido por Reem Alsalem, relatora especial da ONU, que estima que pelo menos 600 meninas e mulheres já perderam prêmios e medalhas em competições para atletas transgênero. O mesmo não ocorre nas categorias masculinas. Por que será?
O privilégio masculino é algo inenarrável.



Os pais fizeram o investimento direitinho. Sabiam exatamente o que estavam fazendo.